Apêndice 4. Antigo, Velho.

Tanto ἀρχαîος – archaios (g744) quanto παλαιός – palaios (g3820) são traduzidas como “velho”, mas parece haver uma distinção marcante entre elas.

archaios provém de ἀρχή – archē (g746), “princípio”, e qualquer coisa conectada com o princípio pode frequentemente ser chamada de “antiga”. Ora, a Escritura menciona vários inícios, o escopo dos quais só pode ser alcançado a partir do contexto de cada passagem; mas talvez a palavra archaios sempre transmita a ideia de “antigo”.

Em Mt 5:21, 27, 33, o Senhor fala dos “antigos” (“os dos tempos antigos” – KJV), o que pode muito bem se aplicar àqueles que ensinaram a lei sob Moisés. O apóstolo Tiago referiu-se a Moisés tendo “desde os tempos antigos” aqueles que o pregaram (At 15:21). Pedro em At 15:7 fala de Deus o ter escolhido para pregar o evangelho às nações “desde os primeiros (ou antigos) dias” (JND) – aqui, sem dúvida, referindo-se ao início da Igreja no Pentecostes. Satanás é aquela “antiga” serpente, que remonta ao início da presente criação, se não até de um período anterior (Ap 12:9, 20:2). Uma passagem pode parecer ser diferente: Mnasom, de Chipre, é chamado de “um discípulo antigo”. Mesmo que sua idade não seja mencionada, mas era um discípulo antigo – de longa data (At 21:16).

palaios (que provém de πάλαι – pálai, “há muito tempo, antigamente”) por outro lado, refere-se a coisas que envelheceram, ou se tornaram velhas por alguma grande mudança recente. Nos evangelhos, é empregada para as roupas velhas e os odres velhos, que se tornaram impróprios por causa da nova ordem de coisas que Cristo introduziu. Refere-se duas vezes ao “velho homem” em contraste com o “novo homem” (Ef 4:22; Cl 3:9). Em Rm 6:6 o velho homem é visto como crucificado com Cristo, para que os Cristãos possam ser livres para andar em novidade de vida. Os santos de Corinto deviam se purificar do “fermento velho”, que se opunha à “nova massa” na qual haviam sido tornados (1 Co 5:7-8). O apóstolo João fala de um “mandamento antigo” que eles tinham ouvido desde o princípio do Cristianismo, mas que agora era um “mandamento novo”, isto é, sob novas condições (1 Jo 2:7, 7). O “velho testamento” [“antiga aliança” (ARA)] é referido em 2 Co 3:14. Está em contraste com a nova (καινήkainos) aliança em 2 Co 3:6 (ARA) – a inteiramente nova e diferente que foi introduzida.